Por que te interessa o que eu penso?

Não entendia até agora a razão de tanta exposição de idéias e  e opiniões nas redes sociais. O Facebook todos os dias me pergunta o que eu penso, o que estou sentindo… Talvez, esse seja o único momento do dia em que “alguém” pergunte isso e efetivamente está pronto pra “ouvir” a verdade, já que fica ali, aquele cursor piscando pra que eu abra meu coração.

E atire a primeira pedra quem nunca fez isso.

O grande problema é que eu escrevo o que eu sinto e quem lê não me perguntou nada. A pessoa está lá, rolando a timeline dela é “pá” , dá de cara com meus sentimentos, com meu coração desnudo e às vezes vê o pior de mim naquela lugar. Tudo porque havia uma pergunta sobre meus sentimentos…

Percebo o quão carente podemos ser a ponto de nos abrir dessa forma. Imagino que seja mais fácil escrever do que falar. Afinal, geralmente estou relaxada, na minha página, vou digitar e ninguém vai me interromper. Não tem a expressão facial de ninguém a me julgar e se por algum motivo interrompem minha digitação, posso retomar a qualquer momento. De fato, as redes sociais parecem os melhores amigos que eu poderia ter. #sqn

Por outro lado, como usuária, falando do lado de quem rola a “timeline” e se depara com revolta, xingamentos, mágoas, mentiras e uma série futilidades que não me interessa em nada, afinal eu não perguntei. Só queria me distrair, rir de uma piada do Bode Gaiato ou do Ah! Negão. 

Mas a verdade é que a rede social me fez mais egoísta do que nunca. Em outros tempos eu encaminhada PowerPoint, quando queria falar com meus amigos via internet, fazia um e-mail para todos e quando respondia, utilizava a opção de responder a todos. Me divertia no Humortadela e só dava minha opinião política pra tv, enquanto assistia o telejornal. Também conversava com minha avó sobre política, com minhas tias sobre casamento, e costumava sair com meus amigos de faculdade pra comer uma pizza no final da aula.

Interagir mais. Eu era mais presente. 

É verdade que a tecnologia me aproximou de pessoas que estão milhares de kilometros de mim, reencontrei parentes, conheci pessoas maravilhosas, aprendi muito, e aprendo todos os dias. Conheci métodos de organização do lar FlyLady, receitas rápidas no tastymade, isso só pra começar.

Mas também me tornou um pouco fria, intolerante com o meu próximo. Mas o pior efeito é que me tornou uma grande julgadora da vida alheia. Sim, me fez uma juíza que, aparentemente, sabe tudo sobre tudo e com base nisso ignora a dor daquele que abriu seu coração naquela página de Facebook. E isso também me deu o direito de excluir do meu rol de “amigos” pessoas que nunca me fizeram nada, apenas pensam diferente de mim, afinal, eu sou a dona da verdade e se aquela pessoa que eu conheço há anos, ou até é minha parente, pensa diferente de mim, não me serve. Veja que estou falando só de opinião. Nem vou entrar no mérito de política. 

Percebo que me afastar do convívio face a face, está me deixando fria, intolerante, egoísta e má… Acabo me tornando aquilo que condeno, tudo porque não quero aprender a viver…

É preciso saber viver!

Bem, e por que minha opinião te interessa? Na verdade, não interessa, mas eu quero dizer mesmo assim, porque eu não sei usar máscaras. Porque eu ainda quero estar (também) reunida com meus amigos num restaurante e usar o telefone só pra pedir um Uber ou tirar fotos pra eternizar aqueles momentos.

Eu quero voltar a ser uma amiga à moda antiga!

É claro, é o Facebook vai me ajudar quando eu organizar o evento, o Google agenda vai me lembrar e o Instagram vai guardar os momentos pra mim, #semfiltro.

Na verdade, eu quero mesmo é não me perder e nem me esconder atrás das telas. Quero sim amar meu próximo, seja ele quem for, pense ele o que pensar. Quero mesmo aprender a respeitar e considerar o diferente e quero ver beleza naquilo que dizem que é belo. 

Tanta coisa pra aprender, pra viver, pra sentir e crescer… Sou mais que um perfil, tenho muitas facetas que compõe uma complexa personalidade.

Anúncios

Respost: A triste geração que tudo idealiza e nada realiza

Oi Pessoal, tudo bem?

Hoje eu li este post e foi inevitável: Me identifiquei! Não tem como olhar hoje a realidade das coisas e o que realmente se quer passar. As redes sociais, sempre me pareceram uma grande mentira. Publicamos fotos e textos maravilhosos, mas percebo que no dia a dia não funciona da mesma forma. Na rede social somos quem gostaríamos de ser, mas na vida diária não nos esforçamos para tal. As vivemos uma “mentira virtual”, e o pior é que estamos acreditando nela…

Bem, o texto é longo, mas vale a leitura. O texto não é meu, e ao final eu vou colocar o link pra consulta.

Aproveitem a leitura.

Um beijo e até a próxima!

Bye, bye!

A triste geração que tudo idealiza e nada realiza

 

Demorei sete anos (desde que saí da casa dos meus pais) para ler o saquinho do arroz que diz quanto tempo ele deve ficar na panela. Comi muito arroz duro fingindo estar “al dente”, muito arroz empapado dizendo que “foi de propósito”. Na minha panela esteve por todos esses anos a prova de que somos uma geração que compartilha sem ler, defende sem conhecer, idolatra sem porquê. Sou da geração que sabe o que fazer, mas erra por preguiça de ler o manual de instruções ou simplesmente não faz. Sabemos como tornar o mundo mais justo, o planeta mais sustentável, as mulheres mais representativas, o corpo mais saudável. Fazemos cada vez menos política na vida (e mais no Facebook), lotamos a internet de selfies em academias e esquecemos de comentar que na última festa todos os nossos amigos tomaram bala para curtir mais a noite. Ao contrário do que defendemos compartilhando o post da cerveja artesanal do momento, bebemos mais e bebemos pior.

Entendemos que as BICICLETAS podem salvar o mundo da poluição e a nossa rotina do estresse. Mas vamos de carro ao trabalho porque sua, porque chove, porque sim. Vimos todos os vídeos que mostram que os fast-foods acabam com a nossa saúde – dizem até que tem minhoca na receita de uns. E mesmo assim lotamos as filas do drive-thru porque temos preguiça de ir até a esquina comprar pão. Somos a geração que tem preguiça até de tirar a margarina da geladeira.

Preferimos escrever no computador, mesmo com a letra que lembra a velha Olivetti, porque aqui é fácil de apagar. Somos uma geração que erra sem medo porque conta com a tecla apagar, com o botão excluir. Postar é tão fácil (e apagar também) que opinamos sobre tudo sem o peso de gastar papel, borracha, tinta ou credibilidade.

Somos aqueles que acham que empreender é simples, que todo mundo pode viver do que ama fazer. Acreditamos que o sucesso é fruto das ideias, não do suor. Somos craques em planejamento Canvas e medíocres em perder uma noite de sono trabalhando para realizar.

Acreditamos piamente na co-criação, no crowdfunding e no CouchSurfing. Sabemos que existe gente bem intencionada querendo nos ajudar a crescer no mundo todo, mas ignoramos os conselhos dos nossos pais, fechamos a janela do carro na cara do mendigo e nunca oferecemos o nosso sofá que compramos pela internet para os filhos dos nossos amigos pularem.

Nos dedicamos a escrever declarações de amor públicas para amigos no seu aniversário que nem lembraríamos não fosse o aviso da rede social. Não nos ligamos mais, não nos vemos mais, não nos abraçamos mais. Não conhecemos mais a casa um do outro, o colo um do outro, temos vergonha de chorar.

Somos a geração que se mostra feliz no Instagram e soma pageviews em sites sobre as frustrações e expectativas de não saber lidar com o tempo, de não ter certeza sobre nada. Somos aqueles que escondem os aplicativos de meditação numa pasta do celular porque o chefe quer mesmo é saber de produtividade.

Sou de uma geração cheia de ideais e de ideias que vai deixar para o mundo o plano perfeito de como ele deve funcionar. Mas não vai ter feito muita coisa porque estava com fome e não sabia como fazer arroz.

(Marina Melz, revista Pazes)

http://www.criacionismo.com.br/2016/09/a-triste-geracao-que-tudo-idealiza-e.html