E eu devo alguma coisa?

Hoje pela manhã, eu saí pra dar uma caminhada. Já estou buscando um estilo de vida mais saudável há algum tempo. Até ensaiei uma corridinha marota.

Quando estava dentro do elevador, já de volta em casa e me olhei no espelho (na verdade estava olhando o meu estado no espelho), instintivamente pensei em pegar o telefone, registrar o momento nas redes sociais com a famosa legenda “tá pago”.

Ok, nada contra quem faz. Aliás, minhas amigas que o fazem me estimulam ainda mais. Tenho uma amiga virtual, em especial, que admiro muito e ela sempre posta cedinho antes das 07:00 o treino dela. Eu sei a vida corrida que ela tem e acho realmente o máximo isso.

Mas quando pensei na expressão “tá pago”, imediatamente olhei para as gordurinhas que saltavam para além do elástico da calça, olhei para meus braços de cozinheira e para meu rosto vermelho e suado e pensei: “Como assim, está pago, ainda tô devendo pra caramba!”. E, enquanto envergonhada de mim, abaixava meu celular sem o registro fotográfico, pensei novamente: “devendo? Pra quem? Só se for pra mim mesma. E estou devendo por que?”

Bem, fiquei pensando nessa dívida o dia inteiro. Quem disse que é débito? Qual é o saldo? Quando que terei crédito?

Pensei nos valores da sociedade, nas redes sociais, na minha auto-estima, no meu sobrepeso, na minha saúde, no meu manequim…

Sério gente! Não estou criticando ninguém que faz isso, pelo amor de Deus! Inclusive quero ressaltar mais uma vez que AZAMIGAS que fazem isso me inspiram, não parem. A questão era sobre o meu pagamento.

Acho que ainda vou ficar pensando sobre isso alguns dias, de preferência, enquanto eu caminho.

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Feliz dia internacional da mulher… Feliz pra quem?

Oi pessoal, tudo bem? Isso mesmo, pelo título, lá vem textão! Mas calma, não é nada depressivo e nem reacionário (pelo menos eu acho), são só mais uma daquelas reflexões, daquelas verdades que a gente quer falar, mas não tem muito público pra ouvir.

Comemoramos dia 08/03 o dia internacional da mulher. Não vou falar a origem do dia porque isso pode ser achado facilmente no Google, mas sabemos que ao longo da história, mulheres se tornaram vultos históricos emblemáticos, e isso até o dia de hoje, e inegavelmente, pra sempre!

Somos sempre culpadas de tudo, desde Adão… E me parece que esse peso de culpa persiste até hoje. Gostaria muito de trocar a “culpa de quem?” para a expressão “responsabilidade de quem?”

Vamos ao fato histórico gerador da raça humana? (Se vc é ateu, simplesmente me acompanha, deixa de ser chato!). Estava lá, Adão e Eva. Deus disse pra Adão não comer do fruto da árvore. Ele não comeu a princípio, disse pra Eva não comer, mas ela comeu… E não só isso, ofereceu pra ele e ele aceitou. Fez aquilo que disse pra ela não fazer. A culpa de Adão ter comido foi de Eva, mas a responsabilidade de não deixar que aquele fruto fosse comido, era de quem? Bem, o resto, vcs já sabem…

E assim vamos acompanhando a “história do paraíso”… Chegamos em Maria, mãe de Jesus. Que responsabilidade a dela hein! Que mulher! Que coragem! Não vamos esquecer de José, que não somente se casou com Maria grávida de um filho que não era dele, como ASSUMIU A RESPONSABILIDADE junto com ela! Bem diferente do seu patriarca Adão. O resto da história, vcs também já sabem…

Assumir a responsabilidade é totalmente diferente de assumir a culpa, mas nós mulheres estamos sempre assumindo a culpa, por que?

Não vou falar sobre criação, educação, valores… Nada disso, quero só pensar sobre isso, em que universo de números naturais minhas responsabilidades e minhas culpas estão na interseção (lembra das aulas de matemática? União, interseção, igual, diferente…).

Sim meus amigos, elas, a culpa e as responsabilidades não se unem, não somos as “Messias” do mundo. Não somos perfeitas, erramos, ficamos na dúvida, confusas, mas também acertamos, temos muitas certezas, confiança e respostas.

Somos mulheres, temos hormônios loucos todos os meses, e daí?

Gostamos de comprar, e daí?

Gostamos de falar, e daí?

E daí?

Temos que ser um monte de coisas, de preferência antes do 30, ou melhor, antes dos 20. Aliás, temos sempre que parecer ter 20 anos, não importa a faixa etária que estamos.

Gostamos de dizer que não somos obrigadas a nada. Mas discordo. Temos sim muitas obrigações, muitos afazeres (e se multiplicam a cada dia), e nós buscamos isso, não é mesmo? E isso não é ruim, apenas temos que saber se o que estamos nos obrigando a fazer, é de fato, nossa responsabilidade. E não sou eu que vou dizer, isso é com vc!

Apesar de toda a dissertação sobre culpa x responsabilidade, ser mulher é o primeiro é maior presente que eu recebi assim que fui concebida. Apesar de tudo, é esse gênero, o feminino, esse DNA xx e a idéia de feminismo feminino que me deram as maiores conquistas de um ser humano: Amar e ser amado. E é sim minha responsabilidade, amar também!

Beijos e até a próxima!